O site está no ar há três anos. Um dia você decide trocar de agência — e descobre que o endereço suaempresa.com.br, que está no cartão, no adesivo do carro e no Instagram, não é seu. Está no CNPJ de quem fez o site.
Parece improvável. É mais comum do que deveria, e quase sempre acontece sem má-fé nenhuma: alguém registrou "pra facilitar" e ninguém voltou no assunto.
O domínio do seu site precisa estar registrado no seu CPF ou CNPJ — não no da agência, do freelancer ou do sobrinho que ajudou. Quem é titular controla pra onde o endereço aponta. Se o titular for outra pessoa, trocar exige a participação dela.
Conferir leva cinco minutos e é gratuito: basta consultar o domínio no site do Registro.br. E manter no seu nome custa R$ 40 por ano — barato demais pra deixar na mão de outra pessoa.
Domínio, hospedagem e código: o que é cada um?
Muita confusão vem de achar que "o site" é uma coisa só. São três peças, e cada uma pode estar com alguém diferente:
| Peça | O que é | Quem deve controlar | Se não for seu |
|---|---|---|---|
| Domínio | O endereço — suaempresa.com.br | Você, sempre | Trocar de fornecedor depende de outra pessoa |
| Hospedagem | O servidor onde os arquivos ficam | Você ou o fornecedor, com acesso garantido | Site pode sair do ar se a relação acabar |
| Código / arquivos | O site em si — páginas, textos, imagens | Você, com cópia entregue | Mudar de fornecedor vira refazer do zero |
A hospedagem ficar na conta do fornecedor é comum e pode fazer sentido — ele cuida da parte técnica. O ponto é que o combinado precisa prever como você fica se a parceria terminar. Com o domínio não tem meio-termo: ele é seu.
Uma comparação que ajuda: o domínio é o endereço da loja, a hospedagem é o terreno, o código é a construção. Dá pra trocar de terreno e reconstruir. Trocar de endereço depois que todo mundo já conhece o seu é bem mais caro.
Como conferir em cinco minutos
- 01 — Entre em registro.br. É a entidade responsável pelos domínios terminados em .br.
- 02 — Digite o seu domínio na busca. Como ele já está registrado, o site vai mostrar que não está disponível e oferecer a consulta dos dados.
- 03 — Veja quem aparece como titular. Se for o seu nome ou o da sua empresa, ótimo. Se for outro nome, anote.
- 04 — Confira a data de expiração. Domínio vencido sai do ar — e depois de um tempo pode ser liberado pra outra pessoa registrar.
Pra domínios .com (sem o .br), a lógica é a mesma, mas a consulta é feita em outros serviços de WHOIS, e o registro costuma estar numa empresa registradora — vale pedir a quem fez o site pra mostrar a conta.
Por que tanta gente descobre tarde
Ninguém pensa em domínio enquanto o site funciona. O problema só aparece em três momentos:
- Na hora de trocar de fornecedor. O novo pede acesso ao domínio pra apontar o site novo — e você não tem.
- Quando o domínio vence. O Registro.br envia aviso de cobrança pros contatos cadastrados no domínio, incluindo 30 dias antes do vencimento. Se o e-mail cadastrado é da agência — ou de um funcionário que já saiu — o aviso nunca chega em você.
- Quando quem registrou some. Freelancer mudou de área, agência fechou, sobrinho perdeu a senha. O domínio continua no nome deles.
O que fazer em cada cenário
Cenário 1: está no seu nome
Ótimo. Faltam dois cuidados: confirme que o e-mail de contato cadastrado é um que você lê, e considere pagar mais de um ano de uma vez — o Registro.br oferece desconto pra renovação por períodos maiores. Assim o risco de esquecer cai bastante.
Cenário 2: está no nome de outra pessoa, e ela coopera
O Registro.br tem um procedimento de troca de titular. Ele envolve um documento gerado no próprio site, que precisa ser assinado pelo titular atual e pelo novo, junto com os documentos de ambos. Os detalhes e o formato atualizado estão na área de ajuda do Registro.br — confira lá antes de começar, porque o processo pode mudar.
Com boa vontade dos dois lados, é burocracia simples. Faça enquanto a relação está boa, não na hora de encerrar o contrato.
Cenário 3: está no nome de outra pessoa, e ela não coopera ou sumiu
Aqui a conversa deixa de ser técnica. Primeiro, tente contato por escrito. Se houver contrato dizendo que o site e o domínio são seus, ele pesa. Sem acordo, vale buscar orientação jurídica — este artigo não substitui um advogado.
Em último caso, a saída é registrar um domínio novo e começar de novo. Funciona, mas custa: material impresso refeito, links antigos quebrados, clientes procurando o endereço velho.
A conta: quanto custa manter no seu nome × quanto custa perder
Exemplo: pequena empresa com o mesmo endereço há alguns anos
Os valores de reposição são hipóteses pra ilustrar a lógica e variam muito de negócio pra negócio. O que não entra na conta é o mais difícil de medir: clientes que procuram o endereço antigo e não te encontram, e o histórico que o site já tinha construído no Google.
Hospedagem na conta da agência é problema?
Não necessariamente — e aqui vale ser honesto com o outro lado. Muita agência mantém a hospedagem porque é ela quem cuida da parte técnica: atualização, segurança, backup. Isso é serviço, não armadilha.
O que faz diferença é saber três coisas: se você recebe uma cópia dos arquivos do site, se o site pode rodar em outra hospedagem, e quanto tempo de aviso existe se a parceria acabar. Site feito em plataforma fechada, como o Wix, não pode ser levado pra outro lugar — o artigo site no Wix vale a pena? explica por quê.
Como a Nexora faz
- 01 — Domínio registrado no CPF ou CNPJ do cliente. Se o cliente ainda não tem domínio, a gente orienta o registro no nome dele, não no nosso.
- 02 — E-mail de contato do cliente. Os avisos de renovação chegam em quem é dono do negócio.
- 03 — Código entregável. O site é feito em HTML e CSS — arquivos que rodam em qualquer hospedagem, se um dia o cliente quiser mudar.
- 04 — Tudo isso combinado por escrito, junto com o escopo do site.
Não sabe em nome de quem está o seu domínio, ou achou um nome estranho na consulta? Manda o endereço do seu site no WhatsApp — a gente confere com você e explica o próximo passo, sem compromisso.
Perguntas frequentes
Pra domínios .br, faça a consulta no site do Registro.br digitando o endereço. Os dados do registro mostram quem é o titular e a data de expiração. Pra .com e outras extensões, a consulta é feita em serviços de WHOIS ou na conta da empresa registradora.
No Registro.br, R$ 40 por ano, com desconto quando o pagamento é feito por mais de um ano de uma vez. Outros provedores podem cobrar diferente, especialmente na renovação.
Tecnicamente pode, mas não é o recomendado. Quem é titular controla o endereço. O ideal é o domínio ficar no CPF ou CNPJ do dono do negócio desde o primeiro dia, mesmo que a agência cuide da configuração.
O Registro.br tem um procedimento de troca de titular que exige a concordância e a assinatura do titular atual e do novo, com documentos de ambos. O passo a passo atualizado fica na área de ajuda do próprio Registro.br.
O site e os e-mails ligados a ele param de funcionar. O domínio fica um período congelado, em que ainda dá pra renovar. Se não for regularizado, ele é removido e pode ser liberado pra outra pessoa registrar.
Não obrigatoriamente. É comum a hospedagem ficar com quem cuida do site. O importante é ter uma cópia dos arquivos e saber que o site pode ser levado pra outra hospedagem se a parceria acabar.
Em resumo
Domínio é a peça mais barata do site e a mais cara de perder. Custa R$ 40 por ano, leva cinco minutos pra conferir e, se estiver no nome errado, pode travar qualquer mudança que você queira fazer no futuro.
Confira hoje, antes de precisar. E, na próxima vez que alguém for fazer um site pra você, inclua a pergunta na primeira conversa — junto com as outras do artigo sobre o que perguntar antes de contratar um site.